Direção: Chris Weitz
Elenco: Dakota Blue Richards, Nicole Kidman, Daniel Craig, Eva Green, Sam Elliott, Christopher Lee, Freddie Highmore (voz), Ian McKellen (voz), Kathy Bates (voz).
The Golden Compass, EUA, 2007, Aventura, 118 minutos, 10 anos.
Sinopse:Lyra Belacqua (Dakota Blue Richards) é uma órfã que foi criada na Universidade Oxford. No mundo em que vive todas as pessoas têm um “daemon”, ou seja, uma manifestação de sua própria alma em forma animal. Lyra leva uma vida tranqüila até ela e seu daemon, Pantalaimon, descobrirem a existência de uma substância misteriosa chamada “pó”. Isto provoca um estranho efeito nas crianças, o que faz com que as autoridades religiosas se convençam de que representa o mal. Seguindo o misterioso Lorde Asriel (Daniel Craig), seu protetor, Lyra parte em busca de uma resposta. Em Londres ela descobre que diversas crianças estão desaparecendo, entre elas Roger (Ben Walker), seu melhor amigo. Com a ajuda de um instrumento ancestral, que se parece com uma bússola de ouro, ela parte numa jornada que pode alterar o mundo para sempre.

Existem certos filmes que são condenados ao pessimismo quando não faturam uma bilheteria satisfatória, principalmente aqueles que são superproduções baseadas em um famoso livro de fantasia. É o caso de A Bússola de Ouro, que teve que amargar uma fria recepção e dinheiro no caixa muito abaixo do esperado após a sua decepcionante estréia. Motivo para isso não vejo, uma vez que o filme de Chris Weitz é deslumbrante e atraente em seu visual, além de ser uma das adaptações mais fiéis desse tipo de história. Primeiramente devemos ter em mente que não é uma produção para crianças (que provavelmente não vão entender a trama) e sim para o público que se interessou pela obra literária de Philip Pullman e até mesmo pelo próprio filme. Por mais que o roteiro tenha invertido certos fatos para facilitar o entendimento do cinéfilo, o desenvolvimento permaneceu muito corriqueiro para quem não leu o livro.
A pequena Dakota Blue Richards segura o filme como ninguém, mostrando muita maturidade e segurança em um papel que não é muito interessante (a mocinha pura que recebe uma difícil missão). Além de ser uma das maiores revelações do ano, mostra que tem futuro no cinema, ao contrário das crianças de As Crônicas de Nárnia. Daniel Craig tem papel pouco explorado, assim como no livro, e aproveita bem as suas cenas. Seu personagem saiu como “bonzinho” na história, o que acaba sendo um erro a ser consertado caso exista a continuação. Menor ainda é a participação de Eva Green, uma completa figurante. No entanto, toda a expectativa em relação ao elenco era em torno do esperado retorno de Nicole Kidman (já que seu Invasores foi completamente ignorado por público e crítica). Cumprindo exatamente o papel da obra literária - com poucas cenas e maiores momentos, ela está completamente deslumbrante, linda e hipnotizante, além de aproveitar a personagem de forma estupenda. Cheia de classe e beleza, Nicole realizou um de seus melhores trabalhos, dentro do que lhe é proposto. O filme ainda tem as vozes de Freddie Highmore, Ian McKellen e Kathy Bates.
Como já citado anteriormente, a história de A Bússola de Ouro é rápida demais. Mesmo que tenha duas horas de duração, o roteiro acabou ficando condensado demais, dando pouco tempo para que possamos absorver bem todos nomes, informações e detalhes que aparecem a cada minuto. Porém, fiquei bastante contente com o ótimo resultado dessa adaptação, que em momento algum altera os fatos ou distorce a história. Por mais que tudo seja correto em excesso, o roteiro é um saldo positivo para os leitores da obra de Pullman. E nem tanto para os cinéfilos. O que se deve ressaltar é que o decepcionante final da obra ficou de fora e a inclusão do “Magistério” foi usada como uma analogia à Igreja. Eis então, aqui, toda a indignação dos católicos fervoros, que apontam o filme como anti-religioso, uma vez que o Magistério é representado com uma figurante manipuladora e totalmente do mal. Também temos mais ação e movimentação na versão cinematográfica. Pena que tudo ficou preso demais ao correto e ao pouco ousado, o que acaba por não empolgar muito.
O que impressiona mais nessa super produção, sem dúvida, é a impecável parte técnica. Desde os efeitos minimalistas (Iorek Byrnison ficou perfeito, assim como Pantailamon) merecedores de uma indicação ao Oscar até os lindíssimos figurinos (com mais de seiscentas roupas desenhadas para o longa). Outro aspecto muito bom é a trilha de Alexandre Desplat, que não é melhor que seus outros trabalhos desse ano (A Rainha e O Despertar de Uma Paixão), mas que é muito competente e adequada. Encantadora mesma é a impressionante e detalhada direção de arte, outro setor do filme que merece uma indicação ao Oscar. Concluindo, gostaria de fazer defesa a esse filme, que provavelmente vai ser condenado ao frasso, em função de ser vendido de forma errada. Como leitor do livro, fiquei mais do que satisfeito. Como cinéfilo, nem tanto. De qualquer forma, A Bússola de Ouro é um excelente passa-tempo para quem estiver disposto a ficar de olhos atentos em uma dificil trama cheia de detalhes.
FILME: 8.0

Leia também:
Resenha publicada no Cinema 2007 sobre o livro de Philip Pullman.
Resenha do filme pelo Blog do Vinícius.